
|
Analog
Effects
ATELIER
English
Detalhes sobre a produção dos
pedais Plan-9
Aspectos técnicos de nossos pedais.
Desenvolvimento
dos projetos
O que
caracteriza os pedais Plan-9 é a recriação fiel
dos do som de pedais antigos, de efeitos que
fizeram
história no rock dos anos 60 e 70, principalmente pedais de
fuzz, boost e octave.
Estes pedais são essenciais para o músico atual que
objetiva a
reprodução dessas sonoridades. Do mesmo modo,
são
a alternativa preferida dos músicos que pretendem fugir da
artificialidade e lugar comum dos efeitos digitalizados que
dominam o mercado atual.
Para atingir este objetivo, no princípio
nos defrontamos
com algumas dificuldades. Primeiramente, a busca dos projetos
originais dos antigos pedais. Percebemos que grande parte dos
esquemas disponibilizados na web são inexatos. Para contornar
isso, adquirimos
esquemas comercializados por empresas especializadas, e quando
possível
adquirimos
unidades
originais
dos
antigos
pedais
para
estudo
detalhado
dos
projetos. Por exemplo, para o desenvolvimento de nosso
boost/overdriver Plan-9 Power
Driver
Si, estudamos uma unidade
original de
1970 do boost Colorsound Overdriver, que serviu
como modelo para a elaboração do
diagrama esquemático de nosso pedal.
Às vezes a própria empresa que produzia estes pedais ia
modificando o
projeto no decorrer dos anos. Este é o caso do pedal Colorsound
acima
citado, bem como do bem conhecido fuzz Big Muff, que teve mais de
dez encarnações até hoje, desde seu
lançamento pela Electro Harmonix no começo dos
anos 70. Nestes casos, testamos diversas variantes até escolher
a mais
interessante, que percebemos com as melhores possibilidades
sonoras.
Além do
esquema original, outros aspectos são observados, especialmente
as especificações técnicas dos componentes
utilizados no pedal original, especialmente
transístores, diodos e
capacitores. Observamos:
- se os fabricantes selecionaram estes
componentes segundo algum parâmetro técnico oculto;
- quais tipos de
capacitores e diodos foram utilizados?
- havia originalmente um casamento dos transístores efetuado
pelo fabricante?
- e se não havia, seria recomendável casar estes
componentes? (o mesmo pode ser dito quanto aos diodos);
- qual ao valor da bias recomendada para os transístores?
- qual o ganho hFE recomendado para os
transístores?
e outros aspectos semelhantes.
Porém, o esquema e as informações técnicas
não possuem valor se não forem postas à prova.
Para isso, no desenvolvimento de cada pedal Plan-9 montamos um
protótipo para testes reais de som. Os
protótipos permitem que componentes sejam trocados sem a
necessidade de soldas, agilizando a verificação dos
resultados. Na verdade, trata-se do único caminho
plausível para solucionar as questões apresentadas
acima. Durante o desenvolvimento de cada protótipo, num
processo que pode durar meses, os protótipos de estudo
são levados ao
estúdio de som e são feitos testes reais, eventualmente
com a participação de outros
músicos.
Quando o projeto é concluído e o pedal passa a integrar a
Linha Plan-9, o protótipo permanece como uma referência
fundamental para a montagem de nossos pedais. Componentes fundamentais,
como transístores e diodos, são encaixados e testados nos
protótipos, para se realizar testes reais de som antes das
peças serem soldadas definitivamente nos circuitos dos pedais de
nossos clientes. Deste modo, nos asseguramos que o resultado da
montagem vai estar de acordo com o alto padrão de qualidade que
estabelecemos para a Plan-9.
Tipo
de
modificações
presentes
nos
pedais
Plan-9:
a) proteção contra rádio
interferência,
b) filtragem de ruídos,
c) proteção contra ligações invertidas,
c) chave de tonalidades,
d) estabilização térmica dos transístores
(nos fuzzes de germânio),
e) true bypass e led,
f) controles adicionais de ganho, volume master, chaves de tonalidade,
trimpots internos
As mods variam de acordo com o pedal, e apesar destas, sempre
permanece o acesso ao som original do pedal antigo que inspira cada
recriação.
__________
* O procedimento que envolve o
estudo de um circuito para a obtenção do know how the sua
fabricação é comumente denominado de 'engenharia
reversa' ('reverse engeneering'). Na Plan-9 pensamos a engenharia
reversa como uma espécie de arqueologia
industrial, algo que é cada vez mais comum atualmente, à
medida
que os artefatos
industriais vão se tornando referência de um passado
remoto. A mesma
prática é comum aos técnicos especializados em
rádios e outros
aparelhos eletrônicos antigos.
Componentes
fundamentais
Transístores
Um dos segredos para
reprodução dos
sons dos antigos pedais é a utilização dos
componentes corretos, principalmente os diodos, capacitores e
transístores.
No caso dos transístores, trata-se de componentes fundamentais,
visto
ser o transístor quem amplifica e distorce o sinal. A
qualidade do som gerado pelo pedal é diretamente proporcional
à
qualidade dos transístores utilizados.
Existem diversos tipos de transítores vintage
que são muito aprecisados atualmente, seja por sua qualidade
excepcional ou por terem sido utilizados nos grandes pedais de fuzz dos
anos 60 e 70.
Por exemplo, o Marshall Supa Fuzz de 1968 utilizava
geralmente
três transístores, que eram o modelo OC75 de
germânio* (eventualmente
dois OC75 com um OC81D ou com um OC76). Durante a
pesquisa e os testes para nossa recriação deste pedal,
percebemos que quando eram utilizados outros modelos de
transístores a
personalidade e a qualidade sonora do original Marshall se perdiam
completamente.
Por um outro lado, utilizando os transístores
corretos foi possível recriar as qualidades notáveis
deste pedal - seu longo sustain e belíssimos feedbacks; sua
pronta
resposta
ao
controle
de
volume
da
guitarra,
limpando
gradativamente
o
som;
seu um som agressivo, mas
'cremoso' e de grande riqueza harmônica - características
do Plan-9 Suppa Fuzz Ge |
Transístores
de
germânio
|
Como era de se esperar, a maior dificuldade que
enfrentamos na
reprodução dos pedais dos anos 60 e 70 é a
obtenção dos transístores, principalmente dos
modelos de germânio, por tratar-se de uma tecnologia de
produção de transístores que caiu em desuso
já no início dos anos 70. Os transístores de
germânio de
boa qualidade, especialmente os OC (padrão europeu) praticamente
inexistem no
Brasil. Eles são encontrados no mercado internacional, sobretudo
na Europa onde, além de raros, alcançam altos
preços.
Principais
transítores
de
germânio
utilizados
atualmente
pela
Plan-9
|
Pedais
Plan-9
em
linha
que
utilizam
estes
transístores |
Mullard OC76,
fabricado na Grã Bretanha, NOS ** dos anos 60.
Variantes do OC76
(todos britânicos,
exceto o terceiro da dir. para a esq.)
|

|
66 Bender
Ge |
Philips OC75, fabricado na
Alemanha, NOS anos 60
|

|
|
DSI OC81D, fabricado na
Alemanha, produção atual***
|

|
|
Bel Labs AC188,
fabricado
nos
EUA,
NOS
dos
anos
70
|

|
66 Bender Ge#
|
|
Texas Instruments CV7003,
(versão militar do OC44)
fabricado nos EUA,
NOS dos anos 70
|

|
-
|
| Principais
transítores
de
silício
utilizados
atualmente pela Plan-9 |
Pedais
Plan-9
em
linha
que
utilizam
estes
transístores |
Motorola BC109C NOS dos anos
80
|

|
Fuzz
Mutante Si |
Micro Electronics BC169, NOS
dos anos 70
|

|
Power
Driver Si
|
Mitsubishi 2SC828, NOS dos
anos 70/80##
|

|
Super
Wild Fuzz Si |
BC239B
|

|
Rams
Head Si
|
__________
* Sobre o uso de
transístores de germânio e silício em pedais de
fuzz: não é correto
afirmar que transístores de germânio são superiores
aos de silício. Neste caso é preciso considerar, entre
outras coisas, a relação entre o circuito e o
transístor no qual é utilizado, além do
objetivo sonoro. O Marshall Supa Fuzz, por exemplo, foi projetado para
ttrabalhar com transístores de germânio, e o
germânio demonstra todo seu potencial nesse circuito,
oferecendo uma grande riqueza harmônica.
Por um outro lado, há circuitos nos
quais se prefere o
transístor de silício, por ele satisfazer todas as
expectativas em relação ao pedal. Mesmo em pedais vintage
como o Fuzz Face e os Muffs da década de 70, o silício
cumpre o que se espera dos pedais. Afinal foram estes fuzzes que
Gilmour escolheu para gravar muitos álbuns do Floyd, isso
porque nestes circuitos ao menos, o silício não deve
muito ao germânio.
Em termos muito gerais - e considerando que
existem muitas
exceções referentes ao que se segue) - podemos afirmar
que transístores de silício oferecem mais ganho, mais
estabilidade em relação à temperatura. e
são mais confiáveis. Porém, podem soam mais
ríspidos que os de germânio e são dados a
interferências de rádio. Já o germânio possui
menos ganho, soa ligeiramente mais macio quando saturado, porém
oferece um pouco menos de definição de notas e seu ganho
varia um pouco em relação à temperatura ambiente
(mais calor = mais ganho). É errado dizer que o
transístor de ermânio oferece mais graves que o de
silício - isso depende inteiramente de outros aspectos do
circuito do pedal.
Porém, como afirmei, estes fatores
dependem muito do projeto no
qual os transístores são utilizados. A qualidade sonora
também depende muitíssimo da regulagem e da
seleção dos transístores. Se um pedal de
germânio está com a bias (com a regulagem dos
transístores) mal regulada e com transístores
incorretos (não casados), não adianta ser de
germânio, esse pedal vai soar muito mal.
** 'NOS' = 'New
Old Stock': componentes novos provenientes de estoques antigos.
*** Trata-se de transístores de germânios de
altíssima qualidade fabricados atualmente na Alemanha pela DSI - Discrete
Semiconductor Industries. Não confundir com a empresa chinesa de
mesmo nome - são empresas completamente diferentes.
# Eventualmente o AC188 pode ser substituído no 66 Bender Ge
por outro transístor de germânio de qualidade similar ou
superior. Por um outro lado, o Mullard OC76 é
insubstituível neste pedal.
## Nem todos os transístores 2SC828 deste lote possui o logo
Mitsubishi (ex.), contudo trata-se
desta marca. Todo o lote possui a mesma qualidade sonora notável.
Seleção e testes de
transístores
Testando transístores de
germânio
Porém,
para recriar tal qualidade não
basta a
utilização dos transístores corretos. Os
transístores antigos, principalmente os de germânio,
não se
comportam tecnicamente como esperamos que o façam, não
seguem as especificações
técnicas 'corretas' que lemos nos livros.
São componentes inexatos, com características flutuantes,
difíceis
de serem analisadas.
Por exemplo, nosso pedal 66 Bender Ge
(que recria o Vox Tone
Bender de 1966) cobra a utilização de dois
transístores de germânio, sendo que um deles deve
ser um Mullard OC76. Estes transístores devem possuir
certas características técnicas, principalmente um valor
de ganho (hFE) ou potencial de amplificação tal para que
o som
fique excelente.
Porém, apenas cerca de 40% dos transístores
OC76 que adquirimos possuem o valor hFE ideal. Trata-se de uma
porcentagem normal. Os demais trans´sistores não
estão defeituosos, apenas não se prestam para a
utilização no 66 bender, de acordo com as
especificações que este circuito exige. Além
disso, outra parcela destas peças, (no nosso caso cerca de 20%
dos lotes de OC76
adquiridos) apresentam problemas de vazamento (leakage) e instabilidade, ou seja,
são suspeitas de apresentar falha em qualquer
aplicação, logo são descartadas. Isso
não se deve ao fato destas peças serem antigas
(transístores não envelhecem), mas ao fato desta
tecnologia ainda ser muito nova e inexata nos anos 60, quando as
peças foram produzidas.
Por isso, para
produzirem resultados satisfatórios em pedais de fuzz,
transístores de germânio devem ser testados e aprovados
cuidadosamnte.
Os transístores defeituosos devem ser descartados, e as características
técnicas
dos
transístores
bons
devem
ser
anotadas.
Para
isso
elaboramos
fichas
para
que
na montagem dos pedais
seja possível a escolha dos pares e tríades ideais para a
criação de um circuitos de alta qualidade.
Como os
instrumentos de teste modernos
(multímetros) são projetados para a medição
de
transístores de silício, eles são incapazes de
efetuar a leitura correta do ganho dos transístores de
germânio. Para sanar este problema, adquirimos um equipamento
industrial do anos 70 especial para testes de transístores de
germânio, que nos permite identificar com extrema
precisão o ganho hFE e o vazamento de cada
transístor.
Equipamento
dos anos 70 utilizado pela Plan-9, específico
para
teste
de
transístores
de
germânio.
Testando transístores de Silício
Não
só os transístores de germânio precisam
ser selecionados e casados, a maioria dos pedais vintage que levam
transístores de silício também dependem de uma
seleção prévia dos transístores e de outros
componentes para a otimização de seu som.
É o caso dos pedais Plan-9 que levam
transístores de silício. Por exemplo, ao estudarmos
o projeto do Univox Super Fuzz (pedal que recriamos com nosso
Super Wild Fuzz) ,observamos que um certo
padrão de ganho hFE dos transístores 2SC828 japoneses
incrementava a qualidade do fuzz e do octave, assim como alguns
segredos na regulagem do circuito e no casamento dos diodos
de germânio. Trata-se do mesmo cuidado que devemos ter para com
os pedais de germânio. Os transístores e diodos
também são testados nos protótipos antes de serem
aprovados e soldados ao pedal que será enviado ao comprador.
Outros componentes importantes
Diodos
Ainda em
relação ao Plan-9 Super Wild Fuzz, a alta qualidade do
efeito octave-fuzz depende da utilização de
um par de diodos de germânio OA90. Neste caso utilizamos a melhor
procedência posssível, da marca Mullard, NOS dos anos
60.,de
fabricação britânica.
Outros pedais Plan-9 que dependem muito da qualidade
dos diodos para a timbragem são o Rams Head Si
e Fuzz Mutante Si (diodo
1N914) e o Power Driver Si
(diodo de germânio 1N34A).
Importamos o 1N34A dos EUA e os demais acima mencionados são
importados da
Grã Bretanha.
Diodos*
|
Tipo |
Pedais
Plan-9
em
linha
que
utilizam
estes
diodos |
1N914
|
Silício
|
Fuzz
Mutante
Si |
1N914
|
Silício
|
Rams
Head
Si
|
Mullard
OA90
|
Germânio
|
Super
Wild
Fuzz
Si
|
1N34A
|
Germânio
|
Power
Driver
Si |
__________
*Não mencionamos nesta lista outros didodos
(silício 1N4007 e germânio 1N60) que estão
presentes em pedais Plan-9, mas que não influenciam diretamente
no timbre, apesar de cumprirem outras funções importantes
como estabilização e proteção do circuito.
Capacitores
Apesar dos
transístores e diodos serem
fundamentais, outros componentes, como capacitores também
influenciam bastante na qualidade do som.
Muito se tem se escrito sobre a
utilização de capacitores na
construção de amplificadores, pedais e guitarras. Em sua
maior
parte trata-se de mitificação
sem base científica, e puro marketing de vendas. Não
é possível dizer
que um tipo específico de capacitor (poliéster, mica,
schico, cerâmico, óleo etc.) é melhor que o outro,
sem considerar que para cada aplicação um tipo
específico de
capacitor se faz necessário. Nos pedais Plan-9
temos isso em mente. - em cada
projeto utilizamos
capacitores específicos considerando:
Em primeiro lugar, seguimos os projetos dos antigos
pedais que temos como modelo. Procuramos utilizar capacitores do mesmo
tipo dos originais. Contudo, acatamos sugestões da literatura
técnica e de nossa experiência. Se um tipo de capacitor
deve ser substituído por outro para incremento dos timbres,
não temos restrições a este respeito.
É melhor um aparelho confiável e com boa sonoridade, do
que um aparelho absolutamente fiel ao original mas com
limitações sonoras.
Estas escolhas, como em todo desenvolvimento de projetos Plan-9, se
baseiam em testes reais de som com guitarras e
amplificadores , quando possível em volumes
reais de banda. Julgamos que a teoria é fundamental,
mas deve ser posta à prova no mundo real.
Utilizamos os seguintes tipos de
capacitor:
1 - silver mica,
da marca Xicon.
2 - poliéster metalizado. Este tipo de capacitor foi muito
utilizado em pedais nos anos 70 pela Univox, Colorsound, Electro
Harmonix e outras. É conhecidos nos EUA como 'chicle capacitor'.
3 - Siemen
axial cilíndrico, NOS dos anos 80, é semelhante em
projeto e sonoridade
aos capacitores 'mustard'
comuns
nos
pedais
de
fuzz
dos
anos
60.
4 - polipropileno da marca japonesa Xicon.
5 - poliéster metalizado, feito pela
Philips no Brasil nos anos 70 e 80 (NOS). Estes capacitores correspondem
em
projeto
e
sonoridade
aos
antigos
'tropical
fish' muito utilizados nos anos 70. A Siemens
fazia capacitores semelhantes no Brasil nos anos 80, e eventualmente
utilizamos
desta marca.
6 - Poliéster metalizado, modelo comum desde
os anos 60.
7 - cerâmico
8 - styroflex, NOS dos anos 80.
9 - schico, NOS dos anos 70,
época em que foi muito utilizado em pedais.
10 - poliéster metalizado tipo caixa, modelo usual
atualmente, pouco utilizado pela Plan-9.
11 - poliéster metalizado da marca Ico.
Outros componentes e peças
Dimensões dos pedais Plan-9
(Com knobs e pezinhos)
|
Altura
máxima
|
63
mm
|
Altura
mínima
|
40
mm
|
largura
|
87
mm
|
Comprimento
|
150
mm
|
Analog
Effects
CNPJ n.
11.891.572/0001-24
São
Paulo
/ SP
Brasil
Técnico
responsável:
Orlando
"Fuzz" Ferreira
e-mail: plan9pedals@yahoo.com.br
Tel. (55-11)
cel.
7126-8947
/
com. fixo
2594-1509
|
|